quinta-feira, novembro 15, 2007

CRISTIANISMO versus PÓS-MODERNISMO: (...) Parte I.


CRISTIANISMO versus PÓS-MODERNISMO:
Quem nós éramos? Quem nós somos? E quem nós estamos nos tornando? (Parte I)

O homem é a medida de todas as coisas, das coisas que são, enquanto são, das coisas que não são, enquanto não são” (Protágoras de Abdera, 480 a 410 a.C.) --- “Eu Sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jesus Cristo – em João 14:6)

O propósito essencial e leitmotiv desta nova série de artigos que passamos a escrever é levar o leitor à reflexão – e, conseqüente, discussão – sobre o mundo em que vivemos, tomando-se em consideração, especialmente, os fundamentos culturais e valorativos da que conformam o (in)consciente individual e coletivo da nossa sociedade.

A idéia é tentarmos conhecer e compreender as razões e os porquês de sermos quem nós somos e quem nós estamos nos tornando, seja no contexto da família, seja no contexto da escola, seja no contexto do trabalho, seja no contexto religioso.

A idéia, também, é tentarmos desvelar os valores que motivam as nossas ações e as causas e fundamentos do contexto existencial no qual, queiramos ou não, estamos inseridos ou, mais que isso, verdadeiramente, submersos.

Não é à toa que os chamados sete pecados capitais (São Tomas de Aquino, in “Suma Teológica”, 1.273) – luxúria, avareza, soberba, ira, inveja, gula e preguiça (e acrescentaríamos aí a “rebelião”, no sentido de insubmissão total e de “quem manda em mim sou eu!”) –, mais do que nunca, em alto grau e medida, têm feito parte da individualidade humana e têm se tornado elemento de ligação na teia das relações sociais e institucionais.

Por que assim o é? Por que assim tem sido? Por que, em vez dos sete pecados capitais, não conhecemos e praticamos as setes virtudes fundamentais “humildade, disciplina, amor, castidade, paciência, generosidade e temperança”?

Não é à toa, também, que hoje, mais do que nunca, não temos mais referenciais absolutos a serem evidenciados e tomados como padrão de conduta. Tudo é relativo e depende do prisma do observador, de modo tal como se o homem, individualmente, por si só, fosse a medida de todas as coisas, como afirmou o sofista Protágoras cerca de 500 anos antes de Cristo e como pregaram e levaram, tal idéia, às últimas conseqüências, os iluministas, a partir do século XVIII da era Cristã. Aliás, conforme veremos nesta série, esse pensamento sofista e ateísta levado à cabo, como mentor e motor da história, nos últimos 200 anos, por intelectuais, por governos e instituições, explica, essencialmente, o que somos hoje e os porquês do estado de mazela moral e social em que nos encontramos.

Em verdade, vivemos hoje uma dicotomia existencial que precisa ser compreendida em nossas mentes, a fim de que nos posicionemos e saibamos pautar as nossas ações. Tal dicotomia existencial se constitui porque, olhando o mundo pelo prisma cultural, científico e filosófico, estamos vivendo sob os fundamentos valorativos do chamado pós-modernismo. Por outro lado, olhando, agora, o mundo pelo prisma moral-religioso e institucional, estamos, ainda, vivendo sob a égide e os fundamentos valorativos da chamada “Era Cristã”.

Assim, uma compreensão, analítica e abalizada, desta dicotomia existencial – “Cristianismo versus Pós-modernismo” –, na qual estamos inseridos, precisa ser realizada por todos nós, a fim de que não nos tornemos pessoas autômatas, néscias e alheias ao que acontece, diuturnamente, no contexto social e institucional em que vivemos; porque, se assim o formos, não mais conseguiremos – como já se vê, em muitos – discernir entre o certo e o errado, a verdade e a mentira, a sabedoria e a falácia, o bem e o mal, enfim, discernir entre os pecados capitais (e os não capitais) e as virtudes fundamentais (e as não fundamentais). O grande risco que estamos a correr é o de viver sob a égide do fundamento ateísta que temos aqui denunciado e que tem levado a sociedade a assim ser:

O 'em si mesmo' tornou o ser humano um 'dependente', um ser sem expectativa, sem ideal, sem propósito eterno, porque o que vale é o 'carpe diem' e a satisfação diária dos 'meus interesses pessoais', custe o que custar. E quando eu satisfaço os interesses que estão no meu coração eu vou em busca de outros interesses. E, assim, a vida passa, sem propósito existencial nenhum. A sociedade pós-moderna enlaçou o ser humano na sua própria fraqueza, no seu próprio egoísmo, no seu próprio hedonismo. E o resultado de tudo isso é a deturpação moral em que vivemos, a letargia social na qual nos encontramos e o individualismo exacerbado que cultivamos e ensinamos aos nossos filhos.”

Nós não fomos sempre assim. Quem nós éramos? Quem nós somos? Quem nós estamos nos tornando? O que é o “Pós-modernismo” e quais são os valores que o fundamentam? Ainda sabemos quais os valores do Cristianismo, ou sabemos apenas os valores e dogmas de uma religião? E mais que isso: vivemos o que sabemos sobre Cristo ou o relativismo cultural já atingiu e falseou, em nosso imaginário, a obra da Cruz?

E mais: o homem, é sim, a medida de todas as coisas, das que são e das que não são ou existe um Caminho, uma Verdade e uma Vida?

A todas essas questões, tentaremos responder nesta nova série de artigos.

JORNADA NACIONAL EM DEFESA DA VIDA E DA FAMÍLIA: (...)


JORNADA NACIONAL EM DEFESA DA VIDA E DA FAMÍLIA:
quem é cristão – evangélico ou católico – não faz Guerra Santa Contra Pessoas por conta de suas predileções ou orientação sexual.

“(...) trouxeram à sua presença uma mulher surpreendida em adultério e, fazendo-a ficar de pé no meio de todos, disseram a Jesus: Mestre, esta mulher foi apanhada em flagrante adultério. E na lei nos mandou Moisés que tais mulheres sejam apedrejadas; tu, pois, que dizes?. Disse Jesus: (...) Aquele que dentre vós estiver sem pecado seja o primeiro que lhe atire pedra. (...) Ouvindo eles esta resposta e acusados pela própria consciência, foram-se retirando um por um, a começar pelos mais velhos até aos últimos, ficando só Jesus e a mulher no meio onde estava. Erguendo-se Jesus e não vendo a ninguém mais além da mulher, perguntou-lhe: Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou? Respondeu ela: Ninguém, Senhor! Então, lhe disse Jesus: Nem eu tampouco te condeno; vai e não peques mais” (Bíblia Sagrada, Evangelho de João, cap. 8, vers. 3 a 11)

O propósito deste artigo é discutir, tomando em consideração o lançamento da Jornada Nacional em Defesa da Vida e da Família, a reportagem do Jornal CINFORM, desta semana, que veicula em capa a seguinte manchete: “Guerra Santa Contra Gays! Evangélicos e católicos abrem guerra contra lei que protege os direitos de homossexuais”.


Lendo a aludida reportagem, pensamos que há equívocos a serem dirimidos, de modo que, mesmo que não cheguemos à pretendida univocidade de interpretação e entendimentos entre todas as partes envolvidas (movimento evangélico/católico e movimento gay), pelo menos, que possamos esclarecer, à sociedade, os objetivos da Jornada Nacional em Defesa da Vida e da Família que, ao contrário da publicação, sensacionalista e irresponsável, do veículo de imprensa citado, quem é Cristão – discípulo de Jesus Cristo – não faz guerra contra ser humano algum, não importando o grau de maledicência dele ou o desvirtuamento de conduta (pecado) que ele tenha cometido. Não é outra a ratio essendi do texto do apóstolo João que colocamos como epígrafe deste nosso ensaio.


A Jornada Nacional em Defesa da Vida e da Família é um fórum de discussão criado pelo Deputado Federal Henrique Afonso – do PT do Acre – com o apoio da Frente Parlamentar Evangélica, da Frente Parlamentar Contra a Legalização do Aborto e da Frente Parlamentar da Família e Apoio à Vida. Tal fórum de discussão pretende percorrer todos os Estados da nossa República a fim de discutir os projetos de leis que estão em tramitação no Congresso Nacional que dizem respeito à instituição “Família” e ao bem jurídico maior, a “Vida”. Muitos desses projetos estão sendo encaminhados e votados sem a devida discussão com a sociedade civil. Por essa razão, com o objetivo maior de discutir, com a sociedade, temas de alta relevância e implicação comunal, é que foi lançada tal Jornada.


Este fórum se iniciou em nossa cidade, com a vinda de parlamentares federais, intelectuais de várias áreas do conhecimento, professores, dirigentes de ONG's, entre outros. Os organizadores, conferencistas e participantes da Jornada explanaram suas idéias e debates no plenário da Assembléia Legislativa do Estado de Sergipe, abordando, assim, temas de vital importância no contexto pós-moderno em que vivemos. Foram debatidos temas como: o aborto, o infanticídio, a pedofilia, a prostituição, o homossexualismo, o desconstrutivismo científico e moral e o papel da sociedade e das igrejas cristãs neste cenário.


Tal fórum de discussão, implementado pela Jornada, no último dia 26 de outubro, não se encerrou. O fórum será permanente com a implantação, agora, das coordenações estaduais. A idéia, como dissemos, é disseminar no imaginário e no (in)consciente coletivo a discussão a respeito dos projetos de lei que estão em tramitação no Congresso Nacional, fulcrados nas questões da Família e da Vida.
Pois bem. Estes foram os objetivos da Jornada Nacional em Defesa da Vida e da Família. Objetivos que, por certo, não se coadunam, em hipótese alguma, com a reportagem do Jornal CINFORM.


A discussão que temos travado a respeito do PL 122/2006 (Senado Federal) e do PL 6418/2005 (Câmara dos Deputados) não se dá, porque os cristãos querem guerrear contra os homossexuais como propõe a matéria e os seus idealizadores. O grande debate dos PL's, como já temos escrito e provado aqui em artigos anteriores, é que eles ferem direitos constitucionais históricos e sagrados: Art. 5º, caput, “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”; “É livre a manifestação do pensamento” (IV); “é inviolável a liberdade de consciência e crença” (VI); “ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política” (VIII), “é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença” (IX).


Tais PL's ferem a Constituição, porque estes, como temos dito, ao criminalizarem toda e qualquer manifestação contrária ao homossexualismo e às suas práticas (não distinguindo se se trata de violência ou não), ferem o direito fundamental que cada cidadão tem de, livremente, manifestar-se, expressar-se e opinar sobre qualquer tipo de conduta moral ou tema social, porque, no Brasil, vivemos sob a égide de um Estado Democrático de Direito, onde não existem mais os crimes de mera opinião. O que eu não posso, nem ninguém pode fazer, é querer mudar as predileções e a própria orientação sexual de cada um. Isso nem Deus faz à força. Cada um tem o livre-arbítrio para ser e fazer o que entender condizente com a sua moral.


Assim, do mesmo modo que os cristãos não podem – à força – querer mudar a orientação sexual dos que praticam o homossexualismo, do mesmo modo, estes não podem – à força – querer que aqueles mudem a sua visão ideológica e opinativa sobre o homossexualismo, ou mesmo que se rasguem os textos bíblicos que apontam esse tipo de conduta como pecado.


Na regra do jogo democrático, tudo é opinativo e point of view. Não há espaço para imposições, como querem os PL's, ao incriminarem todo e qualquer tipo de manifestação contrária ao homossexualismo. Do mesmo modo, num Estado Democrático de Direito, não há espaço para guerras ideológicas, de modo que pastores e padres não podem estabelecer – à força, com palavras depreciativas, ofensivas – seu modo de pensar e ser. Não foi isso que Jesus Cristo nos ensinou.


Não é por outra razão que a Bíblia nos ensina que: “Assim, pois, cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus” (Romanos 14:12). E, do mesmo modo: “As armas, as quais usamos, não são humanas; ao contrário, são poderosas em Deus para destruir fortalezas [espirituais]” (2 Co. 10:4).
Em síntese, como temos enfatizado há muito, quem é cristão faz como Cristo fez, no exemplo da mulher adúltera: não apedreja, nem faz guerra contra ninguém. Ao contrário, ama! E adverte: se você conhece os ensinamentos de Deus, vá e não peques mais, isto é, mude, voluntariamente, a sua prática de vida e não volte a pecar, se assim você quiser, pois tudo é por volição e predileção, jamais por imposição.
* Publicado no Jornal Correio de Sergipe em 02 de novembro de 2007.